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Você tem fome de quê?

Sábado passado estive com outras mães, numa das vivências que facilito. Investigamos juntas aquilo que nos apoia e refletimos sobre como fortalecer nossa rede de apoio para persistir no caminho de uma maternagem consciente e amorosa, criando mais conexão com os filhos e com nós mesmas. Mais uma vez, foi lindo ver o processo de descobertas de cada uma! As mulheres vão se fortalecendo, tornando-se mais unidas, mais empoderadas, mais conscientes das dinâmicas de suas relações. Sororidade, acolhimento, empatia e muito amor envolvido neste trabalho feito de mãe para mães. Todas se despediram com um sorriso verdadeiro, mais confiantes, mais conectadas com as necessidades e com mais clareza daquilo que cuida de cada uma.

Porque, mulheres, se não temos consciência daquilo que realmente nos cuida e nos nutre, talvez passemos a vida toda insatisfeitas, com a sensação de vazio – ou de transbordamento de sentimentos.

Me acompanha.

necessidades reais na cnv

Você tem fome de quê?

Você já atacou uma caixa de bombons quando estava com raiva? E como se sentiu depois? Aliviada?

Ou só com raiva sabor chocolate?

Talvez você não precisasse de uma caixa de bombons. Talvez você precisasse de um pouco de acolhimento, de empatia, ou de prazer.

Pois é. Muitas vezes tentamos nos satisfazer com aquilo que não necessariamente vai nos nutrir de verdade. Outras vezes esperamos que o outro adivinhe o que a gente precisa, sendo que nós mesmas não sabemos.

O que quero dizer com isso? Que é preciso conhecer nossas reais necessidades para então descobrir maneiras de atendê-las que realmente cuidem de nós. Porque se eu como chocolate toda vez que sinto raiva, sem investigar o que esta raiva quer me mostrar – a qual necessidade ela está apontando – só vou ganhar alguns quilos a mais, sem resolver a verdadeira “causa” da raiva. E não, a causa não é a birra de seu filho ou o atraso do seu marido. Isto são apenas estímulos externos que cutucam você para lembrá-la de algo mais profundo, algo que é muito importante pra você e que não está sendo cuidado. É isso que chamamos de necessidades, na abordagem da Comunicação Não-Violenta: aquilo que não cessa – e que não cede até que receba a necessária atenção.

Quando aprendemos a nos conectar com as verdadeiras necessidades, aí podemos ter algumas pistas do que fazer para atendê-las. E aí podemos – ou seja, temos o poder de – pedir com mais clareza aquilo que irá nos nutrir.

Senão, você vai continuar atacando a caixa de bombons quando na verdade o que você gostaria mesmo era de um beijo, um abraço e colo pra dormir em paz. Se você não sabe que é isso que te satisfaria – e, portanto, só fica de cara fechada sem expressar o que precisa – pode até ser que seu marido/ namorado/ companheiro te dê a caixa de bombons. E com a melhor das intenções. E você continue insatisfeita. E ele diga “Mas eu faço tudo e nada tá bom!” Se ele não sabe o que te nutre, mesmo fazendo o melhor que ele sabe fazer, talvez você continue insatisfeita. E ele também. E daí vem mais desconexão.

Ué, mas isso não é um blog sobre maternagem? É, mas tá tudo interligado: se você não está bem cuidada e não sabe como agir para estar, sua relação com seu filho (e com seu companheiro) acabará pagando por isso.

Então, amiga, três perguntinhas para você se fazer:

Como você está sentindo?

Este sentimento está apontando para o quê dentro de você (necessidade real)?

O que tornaria a sua vida mais maravilhosa neste momento (“estratégia” para atender esta necessidade)?

A partir das respostas que você der a estas perguntas, nascerá uma clareza maior do que nutre você verdadeiramente, a cada momento.

Porque fome todas temos, mas cada uma tem seu prato preferido. Quando eu me conecto com o que está mais vivo em mim e percebo que o que estou precisando mesmo é de um pouco de acolhimento, talvez eu queira ganhar um abraço de uma amiga querida. Enquanto você, quando está precisando de acolhimento, talvez se satisfaça com alguém segurando sua mão enquanto te escuta. Se é isso que te cuida, tá tudo certo. Mas é preciso saber pedir aquilo que você realmente quer.

Senão, corremos o perigo – fatal para as relações – de seguir pela vida desnutridas e exigindo do outro aquilo que nem mesmo nós sabemos o que é.

E você? Você tem fome de quê neste momento de sua vida? Conta pra gente como você está se nutrindo.

(Agora dá licença que vou ali comer um chocolate. Porque por aqui ainda há controvérsias se chocolate é apenas uma estratégia ou uma real necessidade…).

Com amor e gratidão,
Maristela



Todos os textos da sessão “Escrito à Mãe” do site cultivandocuidado.com bem como os textos do perfil no Instagram @cultivandocuidado são de autoria de Maristela Lima. Se estas reflexões fazem sentido para você, talvez elas sirvam também para suas amigas mães. Compartilhe com elas o link deste artigo e sempre cite a autoria. Assim, você valoriza e apoia o trabalho de uma mãe que escreve, contribuindo para que mais mulheres se beneficiem e me motivando para que eu continue a oferecer às mães conteúdos importantes, gratuitos e de qualidade. Entre mães, precisamos no apoiar.
Com amor e gratidão,
Maris.


DICAS DE LEITURA (clique nos títulos para saber mais) :
Comunicação Não-Violenta, de Marshall Rosenberg 
A coragem de ser imperfeito, de Brené Brown
Deixe de ser bonzinho e seja verdadeiro, de Thomas d’Ansembourg

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