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Espiritualidade e Comunicação Não-Violenta

Presença, conexão, gratidão – estes são alguns dos valores que quero ver nutridos, não apenas nesta época do ano, mas em todos os dias desta vida. Presença que nos apoia a ver como realmente somos e a enxergar nossa humanidade compartilhada. Conexão que surge a partir deste olhar com o coração aberto, curioso, amoroso. Gratidão pelo que nasce entre a gente quando nos entregamos assim. Isso me leva mais próximo da espiritualidade que faz sentido para mim – e a Comunicação Não-Violenta é um caminho para vivê-la na prática.

luz para caminho espititual através da cnv

Comunicação Não-Violenta: um caminho para a espiritualidade prática.

“Eu penso que é importante que as pessoas vejam que espiritualidade é a base da Comunicação Não-Violenta e que elas aprendam a mecânica do processo com isso em mente. É realmente uma prática espiritual que estou tentando mostrar como um caminho de vida. Mesmo que não mencionemos isso, as pessoas são seduzidas pela prática. Mesmo se a pratiquem como uma técnica mecânica, elas começam a experimentar coisas entre elas mesmas e as outras pessoas que não eram capazes de experimentar antes. Então, finalmente, elas chegam à espiritualidade do processo. Elas começam a ver que isso é mais que um processo de comunicação e percebem que é realmente uma tentativa de manifestar uma certa espiritualidade. Então eu tentei integrar a espiritualidade no treinamento num jeito que atende à minha necessidade de não destruir a beleza dela através de abstrações filosóficas.” – diz Marshall Rosenberg, criador da Comunicação Não-Violenta, no livro “Spiritualité Pratique” (Ed. Jouvence, não publicado no Brasil).

Neste mês, em que muitos comemoram o nascimento de uma criança – que (independentemente do que fizeram posteriormente com sua imagem) parece ter sido um ser humano revolucionário por ter pregado o amor, a compaixão, a igualdade, a justiça – parece-me pertinente refletir sobre nossa noção de espiritualidade e sobre como trazer isso para a vida cotidiana.  Como é a espiritualidade na prática, com nossos filhos, com os familiares, com as pessoas com quem vivemos e com quem apenas ocasionalmente encontramos? Para além das religiões e crenças, o que realmente importa, aqui nesta nossa vida cotidiana, nas relações que cultivamos? O que queremos celebrar verdadeiramente neste fim de ano?

O que eu gostaria de celebrar e cultivar?

Para além da frugalidade dos presentes, a presença. Para além das ceias nada saudáveis, o verdadeiro alimento para a alma e o coração. Para além da adoração de imagens e personagens, a conexão com a nossa mais profunda humanidade.

Quando Marshall foi questionado sobre o caminho que ele escolheu para conectar-se com a “Amada Energia Divina” – como ele chamava o que outros chamam de Deus – respondeu: “Para mim essa Amada Energia Divina é vida, conexão com a vida. É o jeito como eu me conecto com seres humanos. Eu conheço a Amada Energia Divina conectando-me com os seres humanos de certo modo. Então Deus está muito vivo para mim.  A Comunicação Não-Violenta se desenvolveu a partir da minha tentativa de ficar consciente do que é essa Energia Divina e como ficar conectado a ela. Eu estava muito insatisfeito com a psicologia clínica porque é baseada na patologia e eu não gostava dessa linguagem. Então, após ter me formado, eu decidi ir mais além na direção de Carl Rogers e Abraham Maslow. Eu decidi olhar esse lado e perguntar a mim mesmo a assustadora pergunta: ‘O que nós somos e o que pretendemos ser?’ Eu achei que havia muito pouca coisa escrita sobre isso em Psicologia. Então eu fiz um curso de Religiões Comparadas porque eu vi que elas falavam mais sobre essa questão. E a palavra “amor” aparecia em todas elas.  Eu costumava ouvir a palavra AMOR como muita gente usa no sentido religioso: “Você deve amar todo mundo”. Eu tentava entender melhor o que significa amor porque eu podia ver que tinha muitos significados para muitos milhões de pessoas em todas aquelas religiões. O que é e como se faz esse ‘amor’? A Comunicação Não-Violenta realmente se revelou na minha tentativa de compreender esse conceito de amor e como manifestá-lo. Eu cheguei à conclusão que não era somente algo que você sente, mas algo que manifestamos, algo que fazemos, algo que temos. E o que é essa manifestação? É nos doarmos de um certo jeito: expressar honestamente o que está vivo em nós neste momento. Intriga-me por que em cada cultura nos saudamos com “Como está você?” Essa é uma questão tão importante! Que presente é ser capaz de saber a cada dado momento o que está vivo em alguém! Dar este presente a alguém é uma manifestação de amor. É quando você revela a si mesmo nua e honestamente, em dado momento, sem outro propósito senão como um presente do que está vivo em você. Sem acusação, sem crítica ou punição. Simplesmente ‘Aqui estou e aqui está o que eu gostaria. Essa é a minha vulnerabilidade neste momento.’ Para mim, isso é um jeito de manifestar amor. E o outro jeito que nós nos doamos é através de como recebemos a mensagem da outra pessoa. Recebê-la com empatia, conectando-nos com o que está vivo nela, não fazendo julgamentos. Somente ouvir o que está vivo na outra pessoa e o que ela gostaria. Então, a Comunicação Não-Violenta é simplesmente a manifestação do que eu entendo que seja Amor. Assim, ela me ajuda a ficar conectado com essa bela Energia Divina dentro de mim mesmo e nos outros – e o que acontece então é o mais próximo que eu conheço do que seja estar conectado com Deus. É uma das ferramentas mais poderosas que eu encontrei para conectar-me com pessoas num modo que me apoia a ficar num lugar onde estamos conectados com o Divino, onde o que fazemos para o outro provém da Energia Divina. Esse é o lugar onde eu quero estar. Nesse lugar é impossível haver violência.”

Este é também o lugar em que escolho estar. Escolha diária, pois os desafios surgem em cada interação. E é aí que reside a oportunidade de praticar a Comunicação Não-Violenta: na vida cotidiana, com as pessoas com quem convivo. É aí que sou chamada à estar presente e atenta. É nos encontros que se dá a oportunidade de verdadeira conexão que nos faz vislumbrar esta energia divina. É na persistência em enxergar para além das ações e ouvir para além das palavras que permito que a paz e o amor se manifestem. E então deixam de ser conceitos abstratos para tornarem-se espiritualidade colocada em prática.

Acho que era disso que falava Jesus. E tantos outros considerados mestres.

É esta espiritualidade que desejo para meu filho. Praticá-la é um dos grandes presentes que posso lhe oferecer.


E você? O que deseja oferecer ao seu filho? Como você lhe transmite os valores que servem à vida? Conta pra gente nos comentários. Suas experiências podem enriquecer a vida de outras pessoas e inspirá-las!



Todos os textos da sessão “Escrito à Mãe” do site cultivandocuidado.com bem como os textos do perfil no Instagram @cultivandocuidado são de autoria de Maristela Lima. Se estas reflexões fazem sentido para você, talvez elas sirvam também para suas amigas mães. Compartilhe com elas o link deste artigo e sempre cite a autoria. Assim, você valoriza e apoia o trabalho de uma mãe que escreve, contribuindo para que mais mulheres se beneficiem e me motivando para que eu continue a oferecer às mães conteúdos importantes, gratuitos e de qualidade. 

Entre mães, precisamos no apoiar.
Com amor e gratidão,
Maris.

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